Musica Pra Cocota Rebolar a Bundinha no Baile

Cover-All The Girls

No Rio de Janeiro, nos late 70’s, antes de estourar a onda Disco, a galera hypada era chamada de cocota. O visual  basico dos cocotas consistia em cabelos parafinados, camisa Hang Ten, calça boquinha e tenis Pampero, All Star ou Flexa. Tinha uns comédias que penduravam no pescoço uma ridicula pranchinha de acrílico e assim estavam prontos e adequadamente vestidos  pra ir nas domingueiras do Clube Campestre, dar trambique no ônibus  circular, comer sanduíche Angélico no Gordon ou pra se afogar na Praia do Diabo em dia de ressaca. Eram tempos fortemente ridiculos, que me esforço pra esquecer. Mas algumas músicas dessa época ficaram na memória pra sempre.

Clássico do Bachman Turner Overdrive, Hold Back the Water virou na hora Vou Dar Porrada e até hoje bomba nas pistas.

O impagável Bonney M forçava muito o envelope operacional nas suas performances.  Se liga que o cara é pré Disco. Eram tempos inocentes, imagina que clips como esse de Daddy Cool,  passavam impunemente  no Fantástico, no Som na Caixa do Monsieur Limá  e até entre os desenhos animados e ninguém achava que era um absurdo lascivo e impróprio pra molecadinha.

Hoje em dia ninguém mais lembra do Grand Funk Railroad, power banda dos anos 70 liderada por Mark Farmer. Mas no tempo das cocotas eles eram os caras. A capa do álbum All The Girls in the World Beware!!!, que ilustra o post, se tornou um ícone da época. The Locomotion talvez seja a canção mais famosa dos caras.

Ah, quase ia esquecendo, os cocotas se revoltavam quando eram chamados de cocotas. Abraço.

Dos Para Allá, Dos Para Acá

BE038512Mestre Bezerra da Silva, em sua imensa sabedoria, sempre dizia que nunca viu ninguém dar dois em nada e que se visse tava tudo bem. Essa é a Lei do Morro que ele nos ensinou a seguir. Com o devido respeito ao cadáver ilustre do Embaixador das Favelas hoje a Bagaceira vai dar uma de dedo de seta, boca-de-radar, computador do capeta e entregar de bandeja 3 bolerinhos da melhor qualidade. Não faz essa cara, não. Bolero é musica perfeita pra dançar.

Não estou zoando, o bolero merece respeito. Não existe coisa mais jeca do que desdenhar daquele que talvez seja o único gênero musical que, a despeito de sua certidão de nascimento hispano-mexicana, seja parte integrante da cultura de todos os países da América Latina. Se liga que o bolero é pai biológico do samba-canção, do mambo (bolero-mambo), do cha cha cha, da salsa e da bachata da República Dominicana. Ou seja, do mesmo jeito que o Bezerra era bem chegado e considerado em qualquer jurisdição, nas Américas o bolero está sempre em casa.

Aposto que depois de ouvir o Trio Los Panchos e Eydie Gormé, que, desfiando o clássico de Alvaro Carrillo, Sabor a Mi, você também vai achar o bolero legal.

Ouve agora aquele que é considerado um dos maiores interpretes do bolero mundial, o chileno Lucho Gatica, arrebentando com um dos boleros mais tristes e bonitos que existem, La Barca, de Roberto Cantoral.

Pra encerrar essa seção cucaracha ouça bolero mais conhecido do mundo, já gravado por Beatles, Gal Costa e Frank Sinatra. Besame Mucho, de Consuelo Velásquez, interpretado pelo ícone pop Javier Solís.

Adios, muchachos!

É Som de Preto, de Favelado…

Mas quando toca, ninguém fica parado. Positivo, é assim mesmo que rola. A Bagaceira, na humildade, abriu de soul e vai continuar no batidão da black music. Agradeço aos leitores que pintaram e deixaram comentários encorajadores, valeu demais a moral.

Bom, pra comprovar que o que faz a diferença não é nem a latitude e nem a longitude e sim a melanina, deixo na de vocês algumas pérolas negras catadas no iutubi durante essa trabalhosa tarde paulistana.

Para a molecada mais nova, que pensa que o mundo só começou depois que Coolio nasceu, separei a seminal Pastime Paradise, gema que Stevie Wonder incrustou na sua obra prima The Songs in The Key of Life, de 1973.

Da hollywoodiana CDD chegam dois caras do conceito, os MCs Cidinho e Doca, detonando o hoje clássico Rap das Armas, que bombou muito em 96.

Repare como a vibe que rola nos bohíos da periferia de Havana é a mesma dos barracos de qualquer favela brasileira. Em A Lo Cubano os Orishas misturam isso com santería, comunismo e Compay Segundo. Foi hit mundial em 2000.

Pop Staples foi um artista que fez sucesso mediano na América cantando blues, R&B, gospell e até canções de protesto nos anos 60. Aqui ele interpreta magistralmente Papa Legba, canção que David Byrne, do Talking Heads, fez para seu próprio longa-metragem de ficção, o subavaliado True Stories, de 1986.

Pra fechar com tudo a Bagaceira de hoje a tiração de onda braba do cafetão honorário Rick James, com seu megahit de 1981, Superfreak.

Por hoje é só, rapaziada. Amanhã eu acho que tem mais. Partiu.

A Bagaceira Abre Suas Portas

Escrever todo dia sobre o Flamengo no Urublog é maneiro, mas o monopapo acaba enchendo o saco. O Bagaceira vai servir pra mudar um pouco de assunto. Deve ser o quarto ou quinto blog de variedades que eu faço e até hoje nenhum conseguiu passar do segundo post. Vamos ver se esse aqui aguenta um pouco mais. Felizmente, o Mengão Fuderosão Aniquilador de Domingão não é o meu único fetiche. Ainda temos música, cinema, literatura e sacanagem pra desenrolar uma estória.

Pra começar um soul das antigas em sua pouco conhecida versão original. Composto por Ed Cobb e gravado por Gloria Jones em 64, só bombou nos anos 80 com a muquirana duplinha inglesa de synthpop Soft Cell e em 1999 com o amalucado Marilyn Manson, que apesar da pinta esquisitona passa rodo e foi casado com a deliciosa Dita Von Teese que ilustra esse primeiro e esperançoso  post.

Amanhã, num horário mais apropriado, vou procurar outras bizarrices culturais pra dividir com os desavisados que aparecerem por aqui. Ouve aí diz se o som presta ou não presta.