Malandro é Malandro e Mané é Mané

bezerra na moralEu sei que tava demorando, meus camaradas. Onde é que já se viu uma papagaiada dessas? O Bagaceira já tem quase uma semana de vida e ainda não tinha fortalecido o Mais Velho, o Mestre, o Embaixador das Favelas, José Bezerra da Silva (Recife, 23 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005).

Bezerra dispensa apresentações e qualificativos, tá aí um cara que simplesmente é. Nem vou me meter tentar falar tudo sobre o Bezerra. A sua longa carreira de percussionista, compositor, intérprete, musico da orquestra da Globo, Rei do Côco e Patrão do Pagode é uma seqüência de momentos memoráveis que certamente serão abordados com o devido respeito em um breve futuro.

Vou cortar a caôzada e partir logo pros vídeos (esse blog até agora não é nada além do que uma colagem tosca de vídeos, preciso encontrar logo um nicho pra ele, se não, ele morre como os blogs anteriores). Pra começar, uma das inúmeras list songs que Bezerra imortalizou. As 40 DPs (Gil de Carvalho) pode ser considerada um tremendo desbaratino de quem era acusado de fazer apologia da bandidagem, fala só dos canas.

Mudando de pau pra cacete e comprovando toda a sua versatilidade, em  A Fumaça Já Subiu pra Cuca (Adelzonilton e Tadeu do Cavaco) Bezerra dá voz definitiva ao vasto conhecimento da malandragem sobre o arcabouço jurídico brasileiro.

Na fantástica Zé Fofinho de Ogum (Embratel do Pandeiro e Dario Augusto) (outro dia podemos falar sobre os inacreditáveis nomes dos compositores do Bezerra), o Mestre passeia pelo universo dos trambiques e do sincretismo religioso. É pra ouvir, curtir e rir muito.

Pra encerrar, um jabázinho básico. O humilíssimo curta-metragem O Dia em Que o Bambu Quebrou no Meio que fiz com meu irmão de fé Pedro Asbeg no dia do velório de Bezerra, com Dicró, Preto Maneiro, Sarabanda e vários de seus parceiros. Esse filme ganhou até o prêmio de Melhor Curta Escolha Popular, no Festival de Cinema de São Paulo em 2006.

Partiu, malandragem. Abraço.